sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O País de pernas para o Ar!



 Hoje, dia 5 de Outubro de 2012, aniversário da Implantação da República Portuguesa, o Presidente da República, máximo representante da Nação, hasteou a Bandeira Nacional ao contrário.
De acordo com os significados dos Símbolos Nacionais, esta mensagem significa que o País foi invadido pelo Inimigo e está sob gestão Inimiga. Esse é o significado de hastear a bandeira ao contrário.



Será que todas as ilustres personalidades que estavam naquela varanda a olhar para a Bandeira Nacional não se aperceberam que algo estava mal?
Será que são ignorantes e não sabem ver se a Bandeira está ao contrário?
Será que são cobardes e têm medo de piar na presença do Presidente da República, mesmo vendo algo absurdamente inconcebível como o Presidente hastear a Bandeira ao contrário?
De seguida lá foram para dentro, para uma Sessão Solene onde discursaram uns para os outros.
São estes senhores que Governam e aprovam as leis do nosso País. Enquanto isso o nosso Primeiro Ministro estava em Bratislava numa reunião inadiável. Sim excelente álibi, mas o 5 de Outubro também é inadiável. Aliás o 5 de Outubro só acontece uma vez por ano, é inadiável e nunca aparece de surpresa. Até agora tem aparecido sempre depois do 4 de Outubro e antes do 6 de Outubro.
Pelo menos não podemos dizer que foi ele que colocou a Bandeira ao contrário. Mas será que o facto de o País estar ao contrário também tem o seu dedinho?

Numa cerimónia simples e privada houve Três incidentes. Imagine-se se tivesse sido uma cerimónia aberta a todos os Portugueses.
Creio que o Governo actual deve ter alguma vidente como conselheira para acabar com o feriado de 5 de Outubro. Já deviam prever estes acontecimentos, ou então são apenas manobras de diversão para nos distrair de outros assuntos.


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Contas de Sumir!


Passos Coelho de Férias
Este governo realmente é um prodígio. O nosso Primeiro Ministro anunciou hoje um aumento de 7% no desconto obrigatório de todos os trabalhadores para a segurança social. Passamos assim a descontar 18% em vez dos anteriores 11%. Tanto para a função pública como para os “privados”. Ou seja antes os trabalhadores descontavam 11% e a entidade empregadora descontava 23,75%, o que dava 33,75%. Agora tanto os trabalhadores como a entidade empregadora descontam 18%, o que dá 36%. Em termos totais não parece um grande aumento de receita para o Governo, apenas 2,25%, mas na realidade é muito dinheiro e é muito mais do que isso.
Muitas empresas têm dívidas à segurança social que o governo sabe que não vão ser pagas e têm tendência a aumentar. Assim passa para o Zé Povinho a obrigatoriedade de parte desse pagamento. Por outro lado, com menos 5,75% de despesas com os funcionários as empresas pagarão, em teoria, mais impostos. Também é certo que poderão contratar mais pessoas, mas as empresas habitualmente não despedem por capricho, despedem porque não têm trabalho para as pessoas.
Quanto é que o Estado vai pagar à CGA? Não foi dito. Será que passa para 18% também?
Se fizermos uma conta simples com os cenários dos funcionários públicos e privados, antes e depois das medidas de austeridade que começaram com o anterior governo, incluindo os 5% de redução dos salários da função pública em 2010, e tendo em conta que quase não houve aumentos nesses anos, assistimos ao seguinte:



Em resumo o poder de compra e a qualidade de vida diminui uma vez mais. Se as pessoas não podem comprar, as empresas não vendem, não pagam impostos, despedem funcionários e o governo aumenta mais impostos. 
Só falta mesmo cobrar imposto para ir à praia, mas depois os governantes tinham de pagar também e era chato.

Não admira depois a Contestação no Facebook.

O Governo faz contas de sumir com o dinheiro dos Portugueses, por outro lado alguns Portugueses fazem contas de sumir com o Governo e outros fazer contas de sumir do País.
Quem disse que os Portugueses não são bons a matemática?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Emigração Moderna


Passaportes

Os Portugueses sempre foram um povo de emigrantes. Durante a época dos descobrimentos milhares de portugueses foram viver para terras desconhecidas em busca de melhores condições de vida e incentivados pelos governantes. No século passado houve uma emigração muito forte, principalmente nas décadas de 50 e 60, mas ao contrário das épocas anteriores esta emigração não era incentivada pelo governantes e era uma emigração clandestina que se fazia com muito risco e com o mesmo objectivo de melhoria de condições de vida. Nem sempre as condições de vida no país de destino eram as melhores, mas a esperança de amealhar algum dinheiro e voltar mais desafogado permitiam superar as dificuldades. Com a crise actual, os nossos governantes voltam a incentivar a emigração como forma de aliviar o desemprego e, quem sabe, haver algumas remessas de dinheiro para o país. Mas a emigração actual é diferente da emigração anterior. Cada vez mais a emigração portuguesa é de pessoas altamente qualificadas, cuja formação foi em grande parte subsidiada pelo estado e que vão ajudar outros países no seu crescimento. Mas será que a emigração resolve o problema do país? Conheço pessoas altamente qualificadas que emigraram para o Brasil, Angola, Inglaterra, Estados Unidos e Austrália. Todos eles estavam empregados em Portugal, com salários acima da média e inclusive a fazer algumas actividades no estrangeiro por empresas portuguesas. Essas empresas perderam profissionais qualificados e em alguns casos deixaram de conseguir oferecer serviços que eram garantidos por esses profissionais. Num dos casos a empresa contratou serviços de outros países para suprir a falta do profissional. Claro que estes casos são exceção, mas não podem deixar de ser considerados. Antes o processo de emigração era frequentemente ilegal. Actualmente o controle de entrada em alguns países é mais apertado e o visto de trabalho para os Estados Unidos, Brasil, Angola e outros países é um processo demorado e que tem de estar concluído antes de entrar nesses países. Em alguns casos a aprovação do visto de trabalho demora vários meses.
Será também que a emigração compensa quem emigra? Por exemplo o Brasil e Angola estão entre os países mais caros do mundo. Pelo que me dizem e por pesquisas na internet, para se manter um nível de vida equivalente ao que se tem em Portugal, as pessoas que estão actualmente empregadas deverão considerar pelo menos o dobro ou o triplo do que recebem em Portugal, caso contrário poderá não compensar. Além de terem de se adaptar a culturas diferentes, embora no caso dos portugueses essa adaptação seja mais fácil, também pela língua.
Para quem emigra, a emigração terá de ser uma aposta a longo prazo com a consciência de que os primeiros tempos serão difíceis e de estabilização e sem vergonha de regresso caso não haja adaptação ou não dê certo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Febre do Euromilhões


Euromilhões
Hoje venho escrever sobre o Euromilhões, famoso e popular jogo de azar que em Portugal é gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Cada aposta custa “apenas” 2 Euros e o(s) feliz(es) contemplado(s) pode(m) receber um prémio milionário com o valor máximo de 190 Milhões de Euros. Para isso apenas tem de acertar em 5 números num universo de 50 (1 a 50) e também em 2 estrelas num universo de 11 (1 a 11). Todas as terças e sextas feiras há um sorteio. O problema é que existem 116.531.800 combinações possíveis. Seria mais difícil acertar no Euromilhões do que ligar para um qualquer número de telemóvel na Alemanha e acertar no número de Angela Merkel (e ela deve ter mais de um número). Mesmo assim, esta dificuldade aparente não assusta os portugueses que só este ano já gastaram mais de 695 milhões de Euros no jogo e só receberam 257 milhões de Euros em prémios. São mais de 438 milhões de euros de prejuízo.
Hoje de novo, conforme o Jornal Público noticía, o primeiro prémio não saiu em Portugal.
De acordo com o site www.euromilhoes-stats.com desde que o jogo começou em Portugal, os portugueses já gastaram mais do que a fortuna da 5 pessoas mais ricas do país. São mais de 7,6 Mil Milhões de Euros gastos com o jogo e com um retorno de apenas 3,3 Mil Milhões de Euros. O primeiro prémio, que tem um valor mínimo de 15 Milhões a dividir por quem acertar na muche, acumula para o sorteio seguinte sempre que ninguém acerta. Segundo o mesmo site quando o primeiro prémio acumula, o número de apostas aumenta consideravelmente. 
Será que o valor de 15 milhões de Euros não é suficientemente atractivo? 
Já ouvi frases do tipo “Só jogo se houver Jackpot acima de 100 Milhões”. 
Porquê? Com 15 Milhões não dava para remediar?




Parque automóvel em Portugal




Recentemente surgiu uma notícia de que os carros a circular em Portugal  são dos mais velhos da Europa. A média de idades dos carros em Portugal é de 10,2 anos, o que nos coloca na oitava posição dos11 países da Europa analisados onde a média é de 8.2 anos. Será surpresa? Ainda há poucos anos o sector automóvel em Portugal estava bem activo com crescimento da vendas. No entanto observou-se em Portugal um fenómeno estranho. Os portugueses preferiram comprar carros usados no estrangeiro, alguns com bastantes anos de idade e quilómetros rodados, apenas porque eram mais baratos e muitas vezes da chamada categoria premium que incluí Audi, BMW, Mercedes e outros. O carro como símbolo de status passou a ter uma grande importância, e a necessidade de ter um carro melhor ou igual que o vizinho começou a ter impacto nesta nova forma de adquirir automóvel. O Estado tentou inverter esta tendência com a criação das matriculas “K” que depois se veio a demostrar serem ilegais porque o “K” não faz parte do alfabeto português. Depois passou a incluir o ano e mês da primeira matricula, mas a importação de carros usados não só não diminuiu como aumentou.
Dava-se demasiada importância ao automóvel, frequentemente adquirido a crédito e com prestações que faziam as famílias apertar o cinto. O valor do automóvel em comparação ao valor da casa estava num proporção errada. O parque automóvel de algumas famílias valia mais (no dia da compra apenas) que a casa ou apartamento onde vivem. Um automóvel é o pior investimento que se pode fazer, desvaloriza bastante assim que passamos o cheque, o seguro é caro, e em caso de azar ou distração podemos perder boa parte, ou mesmo todo, do dinheiro gasto com a sua aquisição além de todos os custos associados à sua manutenção.
Mas o que há de errado em ter carro?
Não há nada de errado e é cada vez mais um bem essencial, principalmente onde os transportes públicos não satisfazem as necessidades. Precisamos do carro para ir trabalhar, para passear, levar as crianças à escola, ir às compras, etc...
A questão é a racionalidade de qual carro comprar. Comprar usado vindo do estrangeiro sem garantia do histórico do carro, ou comprar novo, pelo mesmo valor, mas sem ser um carro premium?
Todos os carros podem ter problemas, mas um novo terá menos probabilidades de ter problemas do que um carro usado. Lembro-me de um amigo meu que teve um acidente com um carro que ficou bastante danificado e foi declarado como perda total pelo seguro. Uns tempos mais tarde por curiosidade esse meu amigo procurou, no site do Instituto de Seguros de Portugal, pela matricula do carro em que teve o acidente e, para sua surpresa o carro estava com seguro activo noutra seguradora. Ou alguém arranjou o carro (que estava com o motor intacto mas com o resto bastante danificado e com os dois eixos tortos) ou alguém falsificou os documentos de um carro igual roubado. Em qualquer dos casos é um risco.
Parece que com a crise actual e com o acesso ao crédito cada vez mais difícil, a venda de carros novos diminuiu e os portugueses adiam cada vez mais a compra de carro novo para evitar despesas desnecessárias. Claro que depois o sector automóvel ressente-se nesta queda de vendas e o estado recebe menos pelo imposto automóvel também.
O jornal Público também escreveu recentemente sobre este assunto.